MENU

24 de outubro de 2014 - 15:49Crônica

Derrota confirma

Urna

SÃO PAULO | Fazia tempo que eu não desejava que um domingo chegasse tão rápido. Passei a infância e a adolescência assim a cada 15 dias, e lembro bem no dia em que chorei por ter perdido um GP do Japão. Não me conformava daquela ser aquela a primeira corrida de uma sequência de mais de década que não via ao vivo ao pegar no sono e me esquecer de colocar o relógio para despertar. Só que domingo nem tem F1. Tem uma decisão muito mais importante em que alguém vai vencer, e nunca aquela famosa frase sobre o que é o segundo colocado foi tão válida.

O domingo precisa vir para acabar com esta eleição que já deu nos sacos e nos aparelhos excretores. Os dias que restam são apenas uma hipérbole do raso discurso, do fraco debate, da ampla baixaria, da imposição dos valores distorcidos e, sobretudo, do maniqueísmo aflorado. De uma dicotomia que transcende a escolha de um representante pelos próximos anos, mas da nossa essência de transformar tudo nos dois lados como se não houvesse um meio termo ou uma percepção de entender que o gosto, o apreço e o apoio por algo não significa o ódio e a ruptura com o outro.

O pleito deste ano não foi o pior da história – os atritos de Maluf e Covas, Collor e Lula e até mesmo de Jânio com FHC tiveram seus momentos chulos à enésima potência. É que hoje a eleição é praticamente em tempo real, e consumimos tudo à exaustão pendurados nos vários meios e mídias que ou se esforçam para disfarçar ou escancaram suas preferências. A espetacularização e o terrorismo ganham corpo no discurso inflamado de comparação com o nazismo, na postagem que pede para o um grupo votar na semana que vem, na capa antecipada do pasquim que é desmentida por quem menos se espera e na foto em que até a Venezuela se fode. É isso que dá a impressão do kitsch generalizado e completo diante de um país rachado ao meio – entre norte e sul, como o primeiro turno apontou. E já que há dois países em um só, os extremistas têm de escolher um com unhas, dentes e dedos apontados; quem não o fizer – não comparecer às urnas ou preferir ser alvi-nulo – há de tacar as pedras no vencedor sem se preocupar em tentar consertar ou emendar a rachadura.

O que se evidência na escolha entre Dilma e Aécio é a incapacidade do diálogo e do raciocínio que a gente vem desenvolvendo nos últimos tempos. Como expoentes do embate, os dois candidatos se preocupam mais em atacar o outro do que evidenciar o que sua proposta tem de melhor. Não é à toa que não se sabe um projeto cultural de quem quer que seja, mas a cultura da denúncia está plenamente difundida. Leviandade ou verdade, é nela em que se agarram os dois Brasis. Se o diálogo e o raciocínio são o que nos difere dos outros animais, natural, então, que o resquício chegue ao confronto físico e visceral para o mais forte demarcar seu território. E onde não é possível definir as fronteiras, as redes sociais viram palanques de destruição de amizades.

De qualquer forma, se não são exuberantes e não passam perto da perfeição, as duas propostas estão à mesa, bem como os postulantes e o que eles são e representam, o que foram e já representaram ao país – as lutas, os méritos, as fugas e as meritocracias – e o que querem ser e quem querem representar. Bem diferentes entre si, ao menos são equidistantes ao não representar uma nova política que marinou num tempero que azedou com o tempo e que conseguiu a proeza de desmanchar o partido onde se enfiou e aquele que mal deu sustentabilidade e vida. Compreensível que haja dificuldades, mas é possível superá-las para escolher o ideal — ou o menos ruim, olhando pelo copo meio vazio da água que não sai mais da torneira.

O problema é o mote que se arruma para escolher. Por exemplo: tem um meio que me é bastante familiar que se diz irmanado em uma pista e acelera como um de seus argumentos que o outro representa a corrupção que precisa ser estancada. Risos e este outro lado à parte – exposto em minas e linhas gerais –, entenda-se: a corrupção está enraizada na cadeia genética canarinha numa sequência longa de adenina, guanina, timina e citosina. Nós temos agido assim desde que a gente se conhece por gente sob este gene dominante travestido no eufemismo de jeitinho. As nossas vidas já foram várias vezes Petrobras e aeroportos de Cláudio, mensalões vermelhos e azuis, mé e pó, e todas feitas por nós mesmos ou à revelia baixo nossos narizes. Se é isso que faz bater no peito pedindo mudança, desculpe, a mudança começa pelo espelho e pela mentalidade seletiva por hipocrisia. Não se joga sozinho neste jogo.

E o que tá em jogo, meu filho, não são os 10% que seus papeis desvalorizaram na especulação de sua compra e venda na tela de gráficos. Não é, camarada, a tentativa de burlar um regulamento para ganhar do concorrente nem as peças que pagou a menos adulterando ou rasgando a nota fiscal. Não é, irmão, o patrocínio que se consegue tendo como chamariz uma lavanderia, muito menos, irmão, o conluio e o cartel com outros pares para ficar bem na fita e na imagem. O que vale para os próximos quatro anos está longe dos seus eus e egoísmos e tem dimensões continentais que abrangem, pois, muito mais do que seu mundinho gourmet de curvas, retas e desvios. O que vale é uma opção por um modelo de governo que determine o que representamos todos enquanto indivíduos, e uma explicação brutalmente simplificada seria a de que um que tenta dar alguma dignidade ao povo com sua ação, reduzindo a miséria e a pobreza e controlando a economia, e outro deixa que tudo flutue sem muita participação, acabando por acentuar as diferenças entre quem tem mais e menos. Ainda que esteja desconfigurado, aí se encontram conceitos de esquerda e direita, e talvez seja doloroso fazer entender e propor um debate para quem crê que isso seja, sei lá, o lado para virar um volante. Ciente do que se trata, como um tal famoso Carlos, preferi ser gauche na vida. Estou bem consciente do meu voto e do que quero para os meus camaradas.

Assim, que se questione o fraco desenvolvimento econômico, a ausência de investimento nos portos locais, o avanço tímido nas relações comerciais externas, saúde, educação, transporte, segurança, meio-ambiente, o que for, mas se faz mais do que urgente sobriedade, base e respeito. Porque não tem como dar peso a quem argumenta que uma bolsa a uma família sustenta vagabundo sendo sustentado pela fortuna do berço esplêndido dos pais. Não tem como qualificar a ajuda dos profissionais médicos de um país que agora ajuda também no combate a uma doença que assusta a África e o resto do planeta para quem só usa Cuba como trocadilho para balançar. Não tem como valorar a crítica de quem tem como maior preocupação pegar a melhor menina da balada top na viagem para Ibiza e tirar uma selfie sem ter ideia da importância de um ônibus limpo ou com ar condicionado porque não sabe o que é transporte público. Não se pode pedir de um país o que não se consegue tirar da gente. Não se pode pedir outro país se ainda somos os mesmos.

E parece que ainda somos como nossos pais quando resolvemos compor um congresso que remete aos tempos de repressão militar e de chumbo, de bancadas que representam um retrocesso de décadas, que já demovem qualquer pensamento de reforma política e tributária. Se lá estão por nosso voto, é porque nós estamos em retrocesso. É porque nós estamos perdendo. Não tem mais forte neste território; fraquejamos. E diante de todas estas evidências, vamos perder mais com quem quer que ganhe neste domingo, como um segundo colocado numa corrida.

O domingo é uma espécie de digitar derrota-confirma, a segunda-feira será beligerante em suas intolerâncias, a terça vai seguir da mesma forma, a quarta-feira não será menos amena, e as guardas dos dois times que se enfrentam e sabem que serão rebaixados não serão baixadas. Nesta nação varonil oito-oitentista, 13-45, Nina-Carminha, dar o peixe ou ensinar a pescar, a forca ou enforcar, meu pau maior que o seu, não desponta ninguém ainda com as características primordiais de um salvador. Diante dos escombros, o cenário só há de melhorar quando surgir um líder capaz de pegar os coleguinhas pela mão e ensinar algumas lições. Ou um mordomo que servir um combo de Maracugina e chá de camomila para tentar reconciliá-los e que costure, com sua paciência, o fim deste embargo civil. O sopro de consciência pode ser o respiro mais profundo daqui quatro anos.

24 comentários

  1. Mauricio disse:

    Pensei que você fosse mais lúcido.
    Hoje não me conformo em ver pessoas inteligentes defendendo a roubalheira mosntruosa que se instalou no governo.
    A esquerda só esquece um ponto: Não vai dar para continuar a fazer tudo pelo social se o dinheiro acabar. E ele acaba!
    Para o dinheiro não acabar é preciso fazer o país voltar a crescer. E não vejo isso nas intenções do atual governo. Muito pelo contrário.
    O pior é que está acabando todo o dinheiro por conta de um problema, o país está deixando de produzir e está comprando tudo de fora. O único setor que ainda anda é o agricola, mas os esforços héculeos de nosso governo vai conseguir parar isso também. É fácil, basta continuar a espoliar as terras produtivas. Acabar com a propriedade privada, como já está em curso.
    E escolher entre os partidos que estão na disputa hoje é escolher entre a extrema esquerda e e a meia esquerda. Ambos são partidos socialistas. A dita direita não está fazendo parte do pleito hoje de forma direta. Hoje a tal da direita está aliada do governo que está aí. Preciso dizer os nomes? Querem apenas se locupletar no poder…

    E tive um professor há muitos anos atras (acho que em 1984) que me disse uma fraze que marcou muito:

    Ser de esquerda é fácil quando se tem mesada, carro e casa próprios e dinheiro para pagar faculdade (ele falava a nós formandos de uma universidade paga, a respeito de uma solicitaçao de greve feita pela UNE). Difícil é manter essa postura com a barriga vazia. Portanto garotos, hoje quem professa ser um militante de esquerda, de duas uma: Ou é um inocente útil ou então está muito mal intencionado.

    No caso em pauta, hoje, nessas eleições estou muito preocupado pois o governo está muito mal intencionado e tenho por mim que nada, mas nada mesmo vale a perda da minha liberdade de escolha. Da minha liberdade de trabalhar onde desejo trabalhar, de receber um salário justo por isso. De poder viajar, de poder ler o que melhor me agrada, De ser informado com o que de fato ocorre no mundo e não o que se espera, determinado por algum estafeta do governo. De poder criar meus filhos da forma que eu acho certo, sem interferências do estado. De poder ir ao Shopping sem ser assaltado por um rolezinho, só por que é chic e um palhaço qualquer acha que isso é manifestação de identidade. Ver um casal de homossexuais na rua sem medo de ser apedrejado de um lado ou então ser endeusado de outro; eles são gente comum, não cidadãos especiais, De ter colegas negros no ambiente de trabalho por que mereceram estar ali e não por uma imposição legal. De poder ser atendido num hospital decente e minimamente aparelhado e não por um médico desesperado ou então desmotivado por conta dessa situação, e nesse caso pouco me importa qual a nacionalidade dele.

    Esse é o país que eu quero.

    Vou votar em branco pois nenhum dos candidatos que estão aí são o que o país precisa.

    Sorry, você não me convenceu. Open your eyes!!!!

    • Victor disse:

      VM responde: Eu nem pensei que cê fosse mais inteligente porque tanto faz e nem tô aqui pra te convencer – jamais estaria preocupado com isso -, mas para escrever o que penso. Sorry se você não entendeu até agora. Abre sua cabeça aí.

    • Fernando Lima disse:

      Roubalheira monstruosa que se instalou??????
      Até onde sei, sempre estiveram lá, e se tem algo que considerei um erro do atual grupo que comanda o planalto, agora indo ao quarto mandato, é a manutenção de estruturas e pessoas corruptas que sempre estiveram lá…verifique melhor…

  2. Edgar disse:

    Ótimo texto! Reflete muito bem o atual (será atual mesmo?) momento da política nacional, e nao falo dos políticos, que estao em Brasília, tao longe e tao distantes de nós (será?) e sim de nós como povo, agindo de forma tao passional, irracional

  3. Obrigado pela melhor análise e texto já lido sobre o assunto por aqui. De uma lucidez tão rara quanto a água em SP. E simbora pro cortejo amanhã.

  4. Edgar disse:

    Ótimo texto! Reflete muito bem o atual (será atual mesmo?) momento da política nacional, e nao falo dos políticos, que estao em Brasília, tao longe e tao distantes de nós (será?) e sim de nós como povo, agindo de forma tao passional, irracional e esquecendo o objetivo de um governo ou melhor de um estado que é a melhora na vida de todos que vivem nele.
    E depois de ler e me identificar com seu texto fiquei um pouco decepcionado sim, nao pelo seu texto de muita qualidade, mas pelo simples motivo de ele “precisar” existir, e também por perceber que ele nao tem o poder de desarmar as pessoas de um ódio cego embasado em argumentos prontos e vendidos em massa.
    Se discute muito a corrupçao, esse “brasileiríssimo (será?) samba de uma nota só” como principal fator para nosso fracasso como naçao, mas ainda conhecerei algum Estado, alguma organizaçao social onde a corrupçao nao esteja presente ou se presente seja totalmente combatida e punida. Nao estou dizendo que a corrupçao é algo bom ou nao importante, ela é prejudicial e deve ser combatida, mas da forma correta, dentro da forma que nos organizamos como Estado e nao deve ser creditada a uma pessoa, um grupo ou um partido uma vez que ela está aqui desde sempre em nossas casas, ao nosso lado de forma sistêmica. Existem problemas tao ou mais graves e mais urgentes como a desigualdade social e de oportunidades, a forma que tratamos nossas minorias que no ponto de vista do número de pessoas muitas vezes sao maioria. O voto consciente é fundamental para alcançarmos os objetivos que uma naçao deve ter, mas é tao fundamental quanto ter a consciência dos limites do voto.

  5. Paulo Pinto disse:

    “Não se pode pedir outro país se ainda somos os mesmos.”

    Disse tudo numa única frase, como se não bastasse o texto exuberante.

  6. Lago disse:

    voto se respeita. importante é que há vida inteligente fora das pistas. triste é precisar de salvadores e heróis pela falta de habilidade em conviver com o diferente. paternalismo e coronelismo me parece apenas questão de nomenclatura, e não de diferença etimológica, bom domingo e bom voto nobre jornalista.

  7. Herbert disse:

    É incrivel o acesso dado ao automobilismo nessa ultima decada. Pistas por todo o Brasil, categorias novas, pilotos-revelação saindo pelo ladrao! Mais incrivel é que a ideologia, disfarçada de benevolencia social, defendida por vários autores aqui, liquidarão seu ganha pão, pois são antagônicos o socialismo imposto e o esporte a motor. Votaremos no menos pior dos camdidatos, é verdade, mas como um bom piloto faz com um carro limitado, há de se preservar pneus, motor e combustivel, já que a corrida é longa e o campeonato maior ainda! Para o publico, tb se faz necessario um podium diferente, já que uma equipe sempre em primeiro torna tudo muito tedioso, tendencioso e……. suspeito.

  8. Razor disse:

    Ué, achei que para vocês torcedores dos petralhas o Grande Molusco fosse esse líder divino…
    Não, meu caro, nenhuma nação que se preze ou tenha esperanças precisa de alguém que lhe tome a mão e mostre o caminho.
    Todos já sabemos para onde o Grande Timoneiro leva seu barquinho.
    O que uma nação decente precisa é de um governo que não atrapalhe. E isso está cada dia mais difícil de encontrar…

  9. Sandro Marques disse:

    Parabéns Victor, a sua habilidade para colocar em palavras a opinião que, como você, muitos tem é impressionante.

    Seria perfeito se todos que estão discutindo sobre política por aí soubessem se expressar tão bem, facilitaria muito as coisas.

  10. Reinaldo jr disse:

    Vou reler cuidadosamente seu texto mas desde já Parabéns pela opinião. Explanei rapidamente e só de não ver tendências partidárias já fiquei feliz como seu leitor.

  11. Wallace disse:

    Aplausos de pé Victor, é a triste dura realidade desse país que tem povo e não cidadãos. Comida pouca meu pirão primeiro, é assim que é. O mais esperto, o mais corrupto e o mais desonesto….. Vemos isso todos os dias o ano inteiro, um ato de honestidade e decência vira notícia de jornal, ao passo que deveria ser o contrário….
    Conduta decente todos os dias em todos os níveis. Concluo que não temos capacidade para tornar esse país uma Nação com cidadãos, seremos sempre povo. Só isso. Vivo o dilema do assalto ou o c#u ou a vida????? É esse nosso momento.
    Meus pêsames Brasil….. daqui a quatro anos tentamos novamente.

  12. José Novaes disse:

    Essa definição de esquerda e direita é incrivelmente tendenciosa.

  13. Bruno Zanette disse:

    Ótimo texto, Vitonez. Ganhe quem ganhar, acho que continuaremos na mesma merda. Por isso acho engraçado o pessoal que briga por política, esporte ou qualquer assunto. Não vale a pena, Parabéns!

  14. jorge disse:

    Tanto blá blá blá blá só para dizer q na dilma quer votar. 45

  15. Christian Capato disse:

    Caro Victor, boa noite!

    Texto formidável. Tudo isto é reflexo da “Datenização” dos sentimentos por justiça social e da “Faustãonização” dos argumentos neo-liberais, em que pese situação e oposição hodiernas não terem noção do que os fazem se odiarem mutuamente.
    O certo é que a sociedade tem os expoentes que merece ter. E se temos crise política, temos a oportunidade de mudar este cenário, pela renovação que um dia há de chegar.

    Espero…

  16. Aislan disse:

    Realmente um excelente texto. Infelizmente devemos decidir entre dois péssimos candidatos. Um representa a corrupção atual o outro representa a corrupção que sempre existiu. Fico com pena dos que defendem um ou outro, nosso povo não tem memória e não se interessa por história, se assim o fizesse nenhum dos dois estariam no pleito. Talvez nenhum dos nossos políticos.
    Minha opinião sobre a culpa dos corruptos mudou de uns tempos pra cá. Hoje acho que eles estão certos de roubar, afinal esse povinho brasileiro merece tudo de ruim por parte dos nossos governantes porque sempre vota nos mesmos bandidos…..

  17. carolina rodrigues disse:

    Adorei esse texto, resumiu perfeitamente a face que se mostra no Brasil nesse últimos dias!

  18. Jorge Roberto disse:

    C A R A L H O!!!!! Desculpe-me pelo palavrão e falta de educação, mas que texto formidável!!!!!!!

    P.S.: Pode excluir o palavrão….

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>