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12 de janeiro de 2016 - 13:15F1

Nem tanto, mestre

SÃO PAULO | Massa vai voltar a viver um ano de fortes emoções em relação à continuidade de sua carreira. À ‘Autosport’, disse que só continua na F1 se tiver numa equipe de ponta; ainda, fez uma autopropaganda ao estampar com fonte em negrito aumentada que sua experiência vai ser imprescindível a partir de 2017, ano em que haverá mudanças técnicas nos carros da categoria. Duas declarações, dois pontos diferentes.

Quando o regulamento da F1 mudou de 2008 para 2009, Massa teve postura semelhante. Então como protagonista da disputa mais marcante de um título na F1, o brasileiro estava em alta e se colocava como um dos pilares da experiência. De fato vinha em uma temporada melhor que a do que o companheiro Räikkönen, mas longe de brigar pelo título — que ficou com a ‘ilegal’ Brawn de Button —, até o acidente na classificação da Hungria.

O que a década de 2000 mostrou, na realidade, é que pilotos com larga rodagem que ficam de fora da F1 por algumas temporadas e/ou trocam de equipe — casos de Villeneuve assumindo a Renault de Trulli ou de Fisichella pulando da Force India para a Ferrari — acabam penando para pegar a mão do carro; esta década, no entanto, tem indicado que os carros estão cada vez mais fáceis de guiar e exigem, portanto, muito menos dos pilotos.

Não à toa, grandes novidades como Verstappen e Sainz chegam e espantam pelo talento exuberante que possuem, mas também por a F1 ter este fator facilitador. Talentosos, se cometem erros, logo tiram lições importantes deles, auxiliados pelos recursos avançados de tecnologia, o que diminui sobremaneira a tal larga experiência acumulada.

A F1, então, está longe de ser um campeonato de decanos sábios. Button só ficou na McLaren na temporada passada por alguma reviravolta que ainda há de ser esclarecida; Magnussen, dias atrás, revelou que Ron Dennis havia lhe prometido a vaga. Por dois anos seguidos, a McLaren apostou em jovens promessas, mas não foram elas que tiveram um desempenho aquém do esperado, e, sim, a equipe. A Ferrari já está de olho em Verstappen e o tem como nome na lista para o ano que vem. A Mercedes tem em Werhlein seu futuro. A Red Bull vai bem com seus prodígios Ricciardo e Kvyat.

Em termos práticos: se você tiver uma equipe de F1 hoje, quem você contrataria: Massa, com sua década e meia de bagagem, ou Ricciardo, que tem parcos cinco anos nas costas? Certamente, a grande maioria apostaria no australiano dos 64 dentes. Em termos práticos 2: Felipe está mais do que correto em se manter na F1 apenas e tão-somente em um time de ponta, principalmente para não fazer de sua carreira uma mendicância para correr a todo custo. Só que ele mesmo tem a consciência de que a única equipe que pode lhe prover isso é a Williams.

8 comentários

  1. Paulo Pinto disse:

    Resta saber em que ponta se encontra a Williams.

  2. Eduardo Schmidt disse:

    Concordo com ele no ponto em que a experiência faz diferença, principalmente com quase nenhum teste ao longo de uma temporada, porém, experiência não é tudo não!!!

    Também penso que o Massa não conseguirá vaga em equipe de ponta, e terá somente talvez a renovação com a Williams por mais um ano. Tá chegando o fim da história do brasileiro na F-1…

  3. luigi disse:

    Eu tenho a opinião de que se um piloto não “acontece” até os primeiros 5 anos de sua vida na F 1 ,ele será no máximo só mais um participante do grid mas nunca sera mais que isso ,e para uma grande equipe só na condição de segundo piloto (coisa que Massa sabe bem executar !) é que serve ou estará fora ,
    E seria bom saber (a aqueles que não sabem ,ou lembrar aos que fingem esquecer ) ,quando Emerson e Pace foram para a Europa , na época em que os carros eram mais difíceis de pilotar pois exigiam muita sensibilidade e conhecimento mecânico do piloto ( não existia ainda , um estúpido Downforce para grudar o carro no chão ) , não havia telemetria ,haviam vários tipos de pneu ,podia-se montar pneus diferentes no mesmo carro ,acertava-se a relação de marcha ,mola ,amortecedores e barra estabilizadora ao gosto e estilo de cada piloto ,Emerson estreou no Gp da Inglaterra de 1970 (28 de julho, já no meio da temporada) e em 1972 foi campeão mundial ,e se levarem em conta ,quase todos os campeões o foram em suas meias décadas de carreira ,mas nunca houve um com se sagrou após década e meia.
    Se brasileiros ainda sonham com mais um grande piloto ,melhor esperar surjam nestas próximas gerações onde estão o neto de Emerson e o caçula de Piquet pai ,quem sabe algum destes tenham o caráter e a postura de campeão ,coisa que Massa (apesar de bom piloto) não tem.
    E brasileiros ,não fiquem tristes ; os italianos que tem a mais tradicional equipe estão esperando outro campeão dede Alberto Ascari ,campeão em 1953 e morto em 54 . E olhe que a Itália e os italianos (federação automobilística) ,tratam o esporte como uma das paixões nacionais ,diferentemente de algumas federações onde dirigentes não estão nem ai para o esporte( permitem que destruam autódromos para a especulação imobiliária a base de muita propina, dada por empreiteiras ;sempre elas ! ) e só usam o cargo para vantagens pessoais e negociatas . Seria muito bom que tanto Itália como o Brasil tivessem pelo menos um grande piloto (não um afinadinho,qualquer que tem medo de cara feia de espanhol) para dar brilho e calor a este grid tão cheio de nórdicos e saxões.(muito bons pilotos ,diga-se de passagem).
    *Buonna fortuna a tutti gli appassionati !

  4. Zé Maria disse:

    Esse aí aprendeu com o Cesar Maia:
    Está criando um factoide para justificar a sua permanência, apesar das pataquadas dos últimos tempos. . .
    Melhor já ir colocando as barbas de molho.

  5. Luciano disse:

    Se proibissem o rádio de comunicação com o piloto, se a única comunicação do piloto fossem as placas, se proibissem a telemetria, o Massa teria razão. Hoje o que conta é experiência do engenheiro, pois ele é que manda, ele recebe informações da telemetria e decide tudo. Se fosse proibido a equipe chamar o piloto para o box, o piloto é que deveria ter a sensibilidade de saber quando deveria trocar o pneu e deveria fazer um gesto com as mão para indicar a equipe qual pneu queria na parada. Hoje o piloto é um mero boneco que pisa no freio e gira o volante. Hoje Verstapinho é muito melhor do que o Massa, pois é mais jovem e naturalmente mais rápido.

  6. Gabriel disse:

    Dizer que Button só ficou devido a “alguma reviravolta que há de ser esclarecida” é ir além apenas para provar a “teoria” do post – que a experiência, atualmente,não é determinante – não?
    Button – à parte qualquer manobra político/financeira de bastidores – ficou na categoria porque é um excepcional piloto, anos luz à frente do finlandês (que é talentoso,todavia!). Na atual situação da Mclaren, foi uma decisão acertada.

  7. Luciano disse:

    Pelo pouco que li sobre o novo regulamento – e perdoe-me caso eu esteja errado -, haverá maior limitação de utilização de túnel de vento e outros aparatos tecnológicos. Isso, por si só, buscaria trazer de volta a maior importância do feedback do piloto mais experiente. Creio que essa é a razão pela opinião do Massa.

    Considerando que o parágrafo acima seja verdadeiro: Massa e Ricciardo? Ricciardo. Massa e Sainz, ou Magnussen, ou Verstappen? Massa.

  8. Thyerri disse:

    Talentos como Verstappen e Ricciardo são ótimos.. Mas acho que o que Massa quis dizer é que para entender um novo regulamento e desenvolver um carro, é preciso sim de experiência! Guiar os carros hoje pode ser fácil sim, só que desenvolve-los ainda é algo complexo demais para alguém com poucos anos no grid. Nada contra os dois pilotos citados, pelo contrário, admiro o Ricciardo e gostei do primeiro ano do Verstappen.

    Esta é minha opinião!

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