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31 de julho de 2017 - 18:28F1

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SÃO PAULO | O bom de fazer isso com calma e depois de tudo que foi feito e dito é que há mais tempo para analisar os fatos. Àquele que importa: a posição que Hamilton devolveu na última curva a Bottas, invertendo as posições que foram feitas para que o primeiro tentasse ir para cima das Ferrari de Räikkönen e Vettel. Creio que poucos esperavam a atitude do inglês. É, ao menos, uma rara demonstração de desportividade em um esporte não muito afeito a estas ações.

Posto isso, ressalto uma declaração profunda e forte de Toto Wolff.

“Dizer que eu não vou me arrepender da decisão seria muito ingênuo. A verdade é que, se a gente perder o campeonato por dois ou três pontos, todo mundo vai dizer que é por causa de Budapeste. E eu vou ser o primeiro a quebrar minhas pernas. Mas acho que, a longo prazo, sustentar o que você diz e seus valores vai fazer a gente ganhar mais campeonatos. Foi uma decisão dura de tomar. Acredite, provavelmente foi a decisão mais difícil que tivemos de ter nos últimos cinco anos porque não sabíamos o quanto Max (Verstappen) estaria perto no fim. Não estou feliz, mas o que eu posso dizer? Se você não é rápido o bastante, pelo menos é justo. O que eu penso ou qual o propósito de estar aqui é fazer as coisas certas e vencer da forma correta. Às vezes, fazer isso da forma correta e com seus valores é duro. E eu me sinto horrível.”

O chefe da Mercedes fala muito em valores, e eu acredito que ele os tenha, mas a dubiedade com que trata isso não traz tanta firmeza. Ele se sente justo, mas horrível. Fosse um valor petreo, não haveria sequer o menor peso na consciência; é trabalhar duro na segunda temporada para minimizar o resultado. Seja como for, a Mercedes sai maior da Hungria aos olhos do mundo, Hamilton idem, e meio que rebaixam a Ferrari, que cumprimentou o funcionário do mês, Räikkönen, por não ameaçar Vettel. Agora, todo o discurso está sendo mal construído em cima de uma possível derrota de Hamilton, sendo que poderia ser ainda melhor trabalhado considerando Bottas.

OK, é muito difícil pensar nesta situação naquele momento, no calor e no fervor, mas mal ou bem, Bottas é um candidato ao título. OK novamente, todo mundo acha que a disputa está centralizada nos dois principais pilotos, mas em nenhum instante houve alguém na Mercedes, com seus valores e tudo mais, para falar que Bottas pode ser campeão por causa de dois ou três pontos. Isso acaba indiretamente rebaixando um piloto que, no começo da temporada, se mostrou cordeiro e afeito a jogos de equipe que o prejudicariam, mas que, neste instante, está no encalço dos dois primeiros colocados no campeonato.

Por fim, se foi combinado durante a prova que Hamilton queria tentar brigar com as Ferrari e que deixaria o companheiro passar se não tivesse êxito, não era mais do que obrigação ele devolver a posição. Não era um simples abrir porta para privilegiar o primeiro piloto. Na Toro Rosso destes dois que não se dão muito bem, Kvyat e Sainz, já aconteceu. Por estar enganado, mas até entre Verstappen e Sainz já ocorreu. Não devolver a terceira posição a Bottas faria Hamilton perder muito, sendo que Lewis andou perdendo alguns pontos desde aquele episódio do F1 Live.

Verstappen × Ricciardo: o primeiro precisa um pouco mais de cérebro; Magnussen × Hülkenberg: o primeiro precisa um pouco mais de calma — embora o ‘chupe minhas bolas’ entra para os anais, sem trocadilho, da F1. Alonso: que homem espetacular e que personagem se tornou. Fora que foi sexto colocado. Sei não, mas começo a pensar que fica na McLaren, até mesmo se tiver Honda.

A corrida: um terror; o campeonato: segue ótimo. As férias: são bem-vindas. Adoraria que elas estivessem no meu radar…

3 comentários

  1. Alan Borghini disse:

    Só posso discordar de quem aprova troca de posições num evento esportivo, também conhecida como manipulação de resultados, e de quem supõe que Kimi não passou Vettel porque a equipe proibiu, mas passaria caso não houvesse essa ordem, conflitando com a justificativa do insucesso do Hamilton nesta mesma tentativa.

  2. Samuca Engel disse:

    Estaria Hamilton tentando ganhar a confiança do finlandês para para facilitar uma manobra semelhando na fase final do campeonato?
    Sobre o Alonso,gosto mais dele agora,na Ferrari eu achava ele mala,claro que não virou um Daniel Ricciardo,mas está mais legal.

  3. Sulista disse:

    Ótima coluna!

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